Uma iniciativa inovadora está ganhando destaque no Maranhão: estudantes do Instituto Federal do Maranhão (IFMA) desenvolveram um absorvente íntimo biodegradável utilizando fibras de sementes de juçara, o famoso açaí. Essa proposta visa não apenas transformar resíduos em produtos úteis, mas também oferecer uma alternativa de higiene menstrual com menor custo e impacto ambiental.
O projeto, que está sendo realizado no Campus do IFMA em São Luís, conta com a participação das alunas Sabrina Mendes e Haylana Lima, que são bolsistas do curso técnico em Meio Ambiente e estão sob a orientação da professora Laurinda Siqueira. Durante sua pesquisa, elas se depararam com a realidade da pobreza menstrual, um problema que afeta muitas mulheres no Brasil e no mundo, e decidiram que queriam fazer a diferença.
As estudantes passaram cinco anos desenvolvendo o protótipo, que se destacou em testes de absorção, alcançando um índice de 3,57 vezes a massa seca do produto — muito superior ao de outras fibras naturais. Além disso, o absorvente demonstrou uma rápida desintegração em água e uma impressionante redução de massa em 90 dias, confirmando seu potencial biodegradável.
Sabrina e Haylana, que estão no terceiro ano do Ensino Médio, celebram não apenas a criação do produto, mas também o reconhecimento que receberam ao conquistar o terceiro lugar no Prêmio Fapema 2026, na categoria Pesquisador Júnior, e ao solicitar uma patente junto ao Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI). Elas acreditam que essa experiência vai além da ciência, pois desenvolveu habilidades essenciais em laboratório e na comunicação científica, além de sensibilizá-las sobre questões sociais e ambientais.
A professora Laurinda Siqueira destaca que o aprendizado vai muito além da pesquisa em si, pois as estudantes estão sendo preparadas para formular hipóteses, realizar experimentos e, principalmente, compreender que a ciência pode responder a necessidades reais da população. O próximo passo do projeto é aprimorar o absorvente, realizando novos testes e experimentos, com a esperança de que essa tecnologia beneficie a sociedade de forma mais ampla no futuro.
Com um produto que promete ser acessível e sustentável, a pesquisa não só busca enfrentar a pobreza menstrual, mas também valorizar um recurso nativo e abrir oportunidades para cadeias produtivas locais. O trabalho das estudantes é um exemplo inspirador de como a ciência pode impactar positivamente a vida das pessoas e o meio ambiente.
Crédito da imagem: Divulgação/IFMA



